Redobre o cuidado ao atravessar a rua
O cruzamento das ruas Visconde de Nácar e Fernando Moreira é um dos 15 locais com alto risco de atropelamento na capital Foto: Antonio More

Fonte: Gazeta do Paraná

 

Quatro em cada dez mortes no trânsito de Curitiba ocorrem em atropelamentos. Desatenção dos pedestres provoca a maior parte das colisões.

 

 

O atropelamento é o tipo de acidente que mais mata no trânsito de Curitiba e a culpa, em geral, é do próprio pedestre. A conclusão é de um levantamento feito pelo projeto Vida no Trânsito, existente desde 2010, que reúne e cruza dados de pelo menos sete órgãos cujo trabalho envolve o atendimento a vítimas de acidentes veiculares.

 

Em 2011, 128 pessoas morreram atropeladas na capital – o equivalente a 40% do total de óbitos no trânsito registrados no período –, quase sempre atingidas por automóveis (45% dos casos). No primeiro semestre do ano passado (o balanço anual de 2012 ainda não foi fechado), foram 60 atropelamentos que resultaram em morte (41%), de um total de 144 ocorrências.

 

INFOGRÁFICO: Em 2011 ocorreram 308 acidentes de trânsito em Curitiba, provocando 321 mortes

 

Com base nesses dados, o diretor da Secretaria de Trânsito de Curitiba (Setran) Cassiano Novo diz que já é possível saber, por exemplo, que os pedestres contribuem mais para a ocorrência de atropelamentos do que os veículos. “Os pedestres admitem que frequentemente atravessam fora da faixa e assumem comportamento de risco. Eles também demonstram não ter noção sobre a diferença entre pontos de travessia seguros e inseguros”, afirma.

 

Mas a aparente despreocupação do pedestre não é o único fator de risco, alerta Novo. A falta de infraestrutura viária e a idade dos transeuntes também favorecem a ocorrência de atropelamentos. Em 2011, por exemplo, 51 vítimas de atropelamento tinham 60 anos ou mais (40% do total). “Esse quadro se deve à mobilidade reduzida do idoso, que demora alguns segundos a mais para atravessar.”

 

Bebida

 

O presidente da Asso­­ciação Brasileira de Pedestres (Abraspe), Eduardo José Daros, discorda da responsabilidade depositada no pedestre e coloca a culpa da maioria dos atropelamentos na conduta dos motoristas. “Quando uma pessoa é atropelada a 30 quilômetros por hora, a probabilidade de ela morrer é de 5%. Se ela for atropelada a uma velocidade de 60 quilômetros por hora, a probabilidade passa a ser de 85%”, revela.

 

Tanto Novo quanto Daros são unânimes em apontar o consumo de álcool como um fator decisivo para o atropelado e para o condutor do veículo. O projeto Vida no Trânsito não tem o detalhamento do índice alcoólico em vítimas de atropelamento. Mas, para se ter uma ideia do problema, 19 dos 34 mortos no trânsito em março de 2012 tinham alguma concentração de álcool no sangue.

 

Vigilância

Setran monitora 15 pontos de alto risco para atropelamento

 

A Secretaria de Trânsito de Curitiba (Setran) monitora, desde o mês de março, 15 ruas e cruzamentos considerados de alto risco para atropelamentos. Dez pontos ficam na região central da capital, um no Portão, um no Novo Mundo, um no Campo Comprido e um no Sítio Cercado. De acordo com o coordenador de Educação e Formação da Setran, Adilson Lombardo, a maioria dos pontos teve um ou dois atropelamentos com morte no último um ano e meio. Porém, mais que o número de óbitos, o grande fluxo de pedestres e a velocidade empregada em algumas vias fez com que esses locais fossem eleitos como pontos críticos.

 

“A região da Avenida Presidente Kennedy com a República Argentina, por exemplo, teve um atropelamento fatal nesse período, mas o fluxo no local é tão intenso que se tornou um dos pontos monitorados. Existem ainda aqueles locais que têm passagem esporádica de pedestres, mas grande risco devido à velocidade e outros fatores, como falta de sinalização aos pedestres, como o Contorno Sul”, explica.

 

Segundo Lombardo, o monitoramento depende de uma série de avaliações, com idas de equipes técnicas aos locais de risco. Há visitas de integrantes dos setores de engenharia e de fiscalização, e em paralelo há um trabalho de pesquisa e orientação com os pedestres. “Fizemos aproximadamente 500 pesquisas até agora que vão nos ajudar a traçar as próximas ações para tentar diminuir os acidentes desse tipo.” (AS)

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