Cientistas anunciam feijão que não provoca gases
O feijão é uma fonte rica em nutrientes e barata, especialmente em países em desenvolvimento, mas muita gente não consome por temer os efeitos colaterais anti-sociais.
Um grupo de cientistas venezuelano descobriu que um processo de fermentação do feijão com uma determinada bactéria pode diminuir a quantidade de componentes que causa os gases e também aumentar o valor nutritivo do alimento. A pesquisa foi publicada no Journal of the Science of Food and Agriculture. Os gases são provocados por uma bactéria que vive no intestino grosso, encarregada de digerir substâncias que não são processadas anteriormente, como as fibras. Feijões, como por exemplo o feijão preto, são consumidos amplamente nas Américas Central e do Sul, e apresentaram altos índices destes componentes nos testes realizados pelos cientistas. Pesquisadores da Universidade Simon Bolívar, de Caracas, descobriram que a aceleração do processo de fermentação pela adição de um tipo particular de bactéria - Lactobacillus casei ou L casei - diminui a quantidade dos componentes responsáveis pelas flatulências. A quantidade de fibras solúveis foi reduzida em dois terços e a rafinose, um açúcar que também ajuda a formar gases, diminuiu em até 88,6%. Entretanto, a quantidade de fibras insolúveis, considerada saudável para o intestino e que ajuda o sistema digestivo a expelir as toxinas, aumentou em até 97,5%. O grupo de cientistas concluiu que a fermentação envolvendo a L casei poderia decompor os componentes que causam gases e aumentar o valor nutricional. Eles sugeriram que a bactéria fosse usada pela indústria para criar produtos melhores. "Dado o fato de que os gases são um dos fatores limitadores ao consumo deste importante alimento, a adoção de processos que permitam a produção de feijões mais nutritivos e que provoquem menos gases é certamente importante", disse Marisela Granito, uma das coordenadoras da pesquisa. 'Preocupações sociais' Para Frankie Phillips, um especialista em nutrição e porta-voz da Associação Britânica de Diabéticos, o estudo é positivo. "Isso abre a possibilidade de superar um aspecto desagradável do consumo de legumes - a produção de gases - mantendo ou até aumentando a quantidade de nutrientes ingeridos", disse Phillips. "Para algumas pessoas, simplesmente comer mais legumes já ajuda, pois o corpo se acostuma com este processo, mas isso não acontece com todo mundo", disse Phillips. "Eu sugeriria um aumento gradual na quantidade de legumes ingeridos na dieta como forma de se superar o problema", completou. Phillips também lembrou que, especialmente nos Estados Unidos, há produtos químicos que podem ajudar a diminuir os gases. "Apesar da preocupação óbvia em relação ao problema dos gases, não há nenhum mal que a ingestão de feijão ou de outros legumes possam causar", disse a pesquisadora, ressaltando os benefícios nutricionais do alimento.
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