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Uma pequena ilustração sobre a Santíssima Trindade. Conta-se que Santo Agostinho caminhava na praia meditando sobre o mistério da Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas distintas…

Enquanto caminhava, observou um menino que portava uma pequena tigela com água. A criança ia até o mar, trazia a água e derramava dentro de um pequeno buraco que havia feito. Após ver repetidas vezes o menino fazer a mesma coisa, resolveu interrogá-lo sobre o que pretendia. O menino, olhando-o, respondeu com simplicidade: - “Estou querendo colocar a água do mar neste buraco”. Santo Agostinho sorriu e respondeu-lhe: - “Mas você não percebe que é impossível?”. Então, novamente olhando para Santo Agostinho, o menino respondeu-lhe: “Ora, é mais fácil a água do mar caber nesse pequeno buraco do que o mistério da Santíssima Trindade ser entendido pelo homem!”.

Domingo, 30 de maio, celebramos o mistério insondável de Deus, a Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Durante os primeiros séculos da sua existência, a Igreja buscou expressar em palavras o inexprimível, isto é, a natureza do Deus em que acreditamos. No entanto, sabendo que se trata de um mistério, nunca teve a pretensão de dizer muita coisa. Chegou à expressão belíssima do Credo onde a Trindade é apresentada do seguinte modo: o Pai, “criador de todas as coisas”, o Filho, “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado’, e o Espírito que “dá a vida, e procede do Pai e do Filho”.

Mas, mesmo essas expressões tão profundas não conseguem explicar a Trindade, pois se Deus fosse compreensível à mente humana, não seria Deus. Contudo, mais importante do que buscarmos fórmulas abstratas para expressar o que no fundo é inexprimível, é descobrir o que a doutrina da Trindade tem a nos ensinar. Talvez o livro do Gênesis possa nos ajudar. Lá diz que Deus “criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1, 28). Ora, se somos criados à imagem e semelhança de Deus, é de um Deus que é Trindade, que é comunidade perfeita, na diversidade.

Assim, só podemos ser pessoas realizadas, na medida em que, vivemos comunitariamente. Quem vive só para si, é destinado à frustração à infelicidade e, consequentemente, à morte, pois está negando a sua própria natureza. O egoísmo é a negação de quem somos, pois nos fecha sobre nós mesmos, enquanto criados à imagem de um Deus que é contrário ao individualismo, pois é Trindade. No mundo pós-moderno, onde o individualismo social, econômico e religioso é tido como critério fundamental da vida, a doutrina da Trindade nos desafia para que vivamos a nossa vocação comunitária, criando uma sociedade de partilha, solidariedade e justiça, respeitando e acolhendo o diferente, pois fomos criados à imagem e semelhança deste Deus que é amor e comunhão. A festa deste domingo não é de um mistério “matemático” - como pode ter três em um? Mas do mistério do amor de Deus, que nos criou para que vivêssemos comunitariamente à sua imagem e semelhança.

 

Batizados e enviados

Jesus está na Galileia, lugar e cenário de sua missão. Os 11 discípulos estão com Ele. O Mestre envia os discípulos em missão: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo... Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 19-20). Aqui reside o núcleo fundamental do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo para a missão, para incorporar pessoas e comunidades na vida do Cristo Ressuscitado e sua Igreja. E aos batizados e enviados em seu nome, com suas testemunhas, garante-lhes sua presença permanente. “Estarei sempre convosco!”. Renovemos, pois, nesta Solenidade da Santíssima Trindade o nosso compromisso batismal com Jesus Cristo e sua Igreja.

Dom Edgar Xavier Ertl

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