Deus está conosco!

Dom Edgar Xavier Ertl

 

 Algumas memórias para o mês de junho. Ao término do mês de maio celebrávamos a Solenidade da Santíssima Trindade em que a liturgia da Palavra e a Eucaristia, propunha-nos a tomarmos consciência de que Deus é comunidade de amor e na comunhão com o Filho e com o Espírito Santo, ou seja, pela Trindade Santa, fonte de nosso Batismo, ele veio ao nosso encontro não para nos condenar e sim para salvar-nos e garantindo-nos a eternidade (cf. Jo 3,16-18).

E a liturgia eclesial convidou-nos à celebração do Corpus Christi, no dia 03 de junho, ou seja, a presença de Cristo conosco na Eucaristia. Deus permanece conosco! Deus está conosco! Ele é o nosso alimento verdadeiro para que o mundo tenha vida e quem se alimenta deste pão viverá para sempre (cf. Jo 6, 51-58). Alimentados com o Corpo e Sangue do Senhor somos convidados a criar a comunhão, o amor, a justiça e equidade entre nós, seus seguidores. Este é sem dúvida o grande desafio destes tempos epidêmicos e de carência alimentar em partes do Brasil e do mundo. Vivemos o paradoxo do flagelo da fome e noutras partes o desperdício de alimentos. Como estabelecer uma relação estreita e concreta entre o mistério celebrado na mesa eucarística com nossas práticas cotidianas, vestidos com o avental do serviço e saciando a fome de multidões?

 

Alegrai-vos comigo!

A Igreja celebra a Festa do Sagrado Coração de Jesus nesta sexta-feira, 11 de junho. O coração é o centro motor do aparelho circulatório. O coração é mostrado na Escritura como símbolo, fonte do amor de Deus. Celebra-se com júbilo o Coração que tanto amou o mundo. O coração de Jesus pulsava pelas ovelhas marginalizadas. No Seu Coração, Jesus, sua preocupação fundamental era dar a vida, salvar as pessoas, acolher as ovelhas dispersas mesmo que tivesse que deixar as 99 sozinhas no deserto, mesmo que expostas ao perigo, sair para buscar aquela que se perdeu, a ovelha extraviada – esta é a manifestação de seu extremo amor e alegria de ter podido encontrá-la viva: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!”.

Que a Solenidade de hoje nos sensibilize o coração a fim de percebermos as ausências sentidas daqueles que não estão conosco, dos que estão afastados da convivência, da comunhão, da fraternidade e da comunidade, sobretudo em decorrência da pandemia da Covid-19. Buscar a ovelha desgarrada é próprio de quem tem um coração sensível, como o de Jesus! Buscar os afastados faz parte da vida dos batizados e crismados em nome do Senhor para servir, para agregar à comunidade, à família, à escola.

Vale recordar, todavia, que o mês de junho é repleto de celebrações e tradições preciosas à nossa fé católica. Festejaremos grandes santos: Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro e São Paulo (dia 29). Nestas festividades, às vezes, folclóricas e simbólicas, Deus quer se comunicar conosco e nos propõem modos novos de sermos discípulos missionários de seu filho Jesus Cristo.

 

A ternura de Deus...

Ao longo deste mês somos convidados a experimentar a ternura de Deus, que é rico em misericórdia, manifestada em Jesus Cristo, manso e humilde de coração, e a experimentar as riquezas do Divino Coração de Cristo, manancial de graças, meditando as maravilhas de seu amor e recebendo uma torrente de graças dessa fonte de vida espiritual. Assim venceremos o ódio, a violência, a vingança, as polarizações agressivas, o desrespeito pela vida nas suas múltiplas expressões, a irresponsabilidade pessoal, coletiva e governamental frente à pandemia do Coronavírus, que devasta vidas sem precedentes na história do Brasil e no território de nossa Diocese de Palmas-Francisco Beltrão.

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