Artes e manhas da poesia

Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites. A rejeição é um processo de ver-se.

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Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa. (Pe. Fábio de Melo)

Apropriei-me de dois fragmentos de um texto do Pe. Fábio de Melo para provocar em você, leitor, algumas reflexões sobre o sentido de sua vida. Estamos sendo testados em nossos limites todos os dias e eu pergunto: até quando e quanto poderemos suportar? Somos realmente rejeitados ou carregamos um sentimento de inferioridade que não nos deixa perceber o quanto de valor temos? Ponderação e equilíbrio fazem a vida mais leve; esse é o caminho da paz interior!

Nossa única certeza neste mundo é a morte. Ela nos chega sem aviso prévio, sem estar marcada na agenda, e sem convite! A “indesejada das gentes”, como a nomeou Machado de Assis nunca é bem-vinda, pois a vida é uma dádiva, e como tal deve ser desfrutada a cada palpitar do coração, estando em paz consigo mesmo e com os que o cercam.

Compus esse poema, Elo sagrado, como forma de refletir sobre os ensinamentos bíblicos, que nos são ensinados desde que nascemos, sobre os quais refletimos para formarmos juízo de valor sobre o mundo e sobre os homens. Vasculhei os livros que compõem a Bíblia Sagrada e relacionei-os com minhas vivências, minhas experiências, e minhas impressões pessoais sobre o poder da fé e da oração, e em como elas fortalecem meu espírito para seguir em frente. Cada estrofe faz um desafio ao leitor: é um convite a uma jornada interior, em busca de suas crenças e de seus valores espitrituais!

ELO SAGRADO

No Gênesis de nossas vidas,
Temos caule, tronco e raiz,
Representam a origem
De um povo que sempre diz:
Quem não preza pelos seus
Não merece ser feliz.

Nossos pais e antepassados
Formam o passado e o presente
Um elo tão indissolúvel
Que germina a semente.
Respeito aos que precederam
Que devemos ter em mente.

Mas um dia todos partem
Em busca de seus anseios
Com as bênçãos do Criador
E a família como esteio.
E tomam rumos diversos
Mirando seus sonhos, creio!

No Êxodo da existência
Somos todos viandantes,
Alguns acham suas paragens;
outros, seguem itinerantes
e continuam a viagem
para além do horizonte.

Faço aqui uma comparação
Seguindo a bela trajetória
Do poder da religião
Dentro de cada história,
Talvez me perca em partes,
Pois versarei de memória.

O guia de todo homem
É a grande luz celestial
Que lhe é dada ao nascer,
Junto com a água e o sal,
Para tudo ter sabor,
Direciona o bem e o mal.

Como Moisés peregrinou
Somos todos andarilhos
Em busca da “Terra Prometida”
Para nós e nossos filhos
Temos o dom da esperança
Para a vida andar nos trilhos.

São doze as tribos de Israel
E os meses do ano cristão
Doze apóstolos de Cristo,
Que nos conduzem pela mão.
Não são meros esses Números
Representam a organização.

Para cada signo do Zodíaco
Uma dúzia de problemas
Quem se liga em fantasias
Em tudo vê um dilema
Duas vezes doze horas do dia
Para equilibrar o esquema.

E ter Deus, como guia,
E a sapiência de Jó
Que resistiu a tentações
Comendo areia e pó
No deserto causticante,
Ele venceu por si só.

Das sagradas escrituras
Livro de Jó é o mais antigo
Não se sabe sua autoria
Se Jó, Moisés ou um amigo,
Salomão ou outros sábios,
Mas nele se encontra abrigo.

Ele traz grandes revelações,
Pois Jó não deixa de acreditar
E questiona a Deus e ao Demo
Que insiste em lhe atentar.
Suas provações e misérias,
A fé nos vem ensinar.

Cantai Salmos de louvor
Aquele que encontrou
Um caminho sem espinhos
E quem nunca se olvidou
Daqueles que o ampararam
Quando a mente fraquejou.

Exaltai em altos brados
Quem acredita sem ver
E dos Provérbios da vida
Sabe a essência colher
Não desvia do caminho
Aquele que sabe crer.

Provérbios de sabedoria
Soube a Bíblia nos deixar
Ensinamentos divinos
Que devemos escutar
O temor dá bons conselhos
E é luz a nos guiar.

Salomão versou seus Cânticos
Com louvor e devoção
Para que o homem justo
Não desvie da razão
E siga os bons ditames
De seu humilde coração.

A beleza pura da mulher
O rei soube decantar
Descrevendo suas núpcias
Para o marido agradar,
Sensualidade e vaidade
Prostradas diante do altar.

Já diziam os profetas:
“Deus fala pela minha voz”!
Lealdade incondicional
“Tende piedade de nós!”,
Que blasfemamos heresias
E recorremos a Vós.

O pastor, profeta da Igreja
Conduz o povo na fé
Tendo a Trindade Santa
Como seu maior tripé
E nas suas orações
Clama por Maria e José.

Não há palavra mais sagrada
Que a dos grandes Evangelhos
Que contam a vida de Cristo,
Convertendo jovens e velhos.
Exemplo de divina bondade
A quem segue seus conselhos.

“Palavras de Salvação!”
Veio ao povo anunciar
Aquele que por suas mãos
Propôs-se a abençoar.
Seu legado: o batismo
Para a alma purificar.

Os Atos de seus Apóstolos
Carregavam multidões,
Levavam sua palavra,
Tocando os corações,
Erradicando injustiças,
Suportando os grilhões.

Por reis foram perseguidos
Para elucidar a humanidade.
Contavam sobre milagres,
Sobre justiça e lealdade,
Juntamente com seu Mestre,
Levavam luz e verdade.

Deixaram Cartas contando
Vida e morte do Nazareno,
Exaltaram suas venturas,
Desde que era bem pequeno,
Ensinando mestres no templo,
Demonstrando saberes, pleno.

Os Apóstolos ensinavam
A vida em comunidade,
Como se forma uma Igreja,
E o destino da humanidade,
Os princípios da retidão,
Peregrinando em cidades.

Também falavam de fé,
Na filosofia da Igreja,
Criticavam a maldade,
A inveja e a avareza,
Traziam a “chave divina”,
Edificavam a grandeza.

De ter um coração aberto
Sob a justiça de Deus
De encontrar os seus caminhos
Aqui na terra e nos céus.
Os homens em suas medidas,
Sejam inocentes ou réus.

E vem João com o Apocalipse
Que significa ‘”Revelação”,
Com profecias ocultas,
Palavras de maldição,
Àqueles que não seguem
O caminho do cristão.

Os caminhos da sabedoria
Levam-nos a compreender
Que tudo o que aqui se faz,
Um dia vamos responder
É o julgamento final
Para aquele que crer.
Que além da existência terrena
Há um mistério a desvendar
“Graças a Deus, sou ateu”,
Sabe o tolo anunciar.
Não teme a vida ou a morte
Aquele que aprende a amar.

(Poema publicado no livro Não diga que a poesia está perdida/2016)

 

 

 

 

 

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