Mãe Aparecida, “Mãe de Deus e nossa”!

Dom Edgar Etl – Bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão-PR

Na segunda quinzena de outubro de 1717, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, ao lançarem sua rede para pescar nas águas do Rio Paraíba, colheram a Imagem de Nossa Senhora da Conceição, no lugar denominado Porto do Itaguassu.

Filipe Pedroso levou-a para a sua casa conservando-a consigo até 1732, quando a entregou a seu filho Atanásio Pedroso. Este construiu um pequeno oratório onde colocou a Imagem da Virgem que ali permaneceu até 1743. Todos os sábados, a vizinhança reunia-se no pequeno oratório para rezar o terço. Devido à ocorrência de milagres, a devoção à Nossa Senhora começou a se divulgar, com o nome dado pelo povo de Nossa Senhora Aparecida. A 26 de julho de 1745, foi inaugurada a primeira capela. Em 1952, iniciou-se a construção da nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, solenemente dedicada pelo papa João Paulo II, em 4 de julho de 1980.

Pobres pescadores!
Foi o jeito que os pescadores encontraram a imagem da Virgem Aparecida, no fundo do rio, que interpretaram a presença protetora das forças do céu a seu favor. Suas vidas corriam riscos, se não entregassem ao conde de Assumar, uma quantia de peixe que o rio não lhes estava fornecendo. A imagem da Virgem, na rede, simples e humilde como os próprios e pobres pescadores, funcionou como uma espécie de aviso de que não estavam desamparados, de que não estavam sozinhos diante do poder humano que ameaçava suas vidas. Esta é a razão que ainda hoje, com sentimentos semelhantes que o nosso povo sofrido, sobremaneira, acorre em peregrinação aos santuários marianos e proclama a Virgem Aparecida, como padroeira do Brasil, como sua intercessora, em momentos particulares e incertos.

Maria sempre atenta e intercessora!
Na solenidade de Aparecida, no dia 12 de outubro, refletimos a narração do casamento em “Caná da Galileia” (cf. Jo 2,1-11). Participam Jesus, seus discípulos e Maria. A Mãe de Jesus está atenta ao que pode estragar a alegria da festa. Maria presta atenção na organização do casamento onde fora com seu filho. Faltar vinho é ameaça para a alegria e continuação da festa. As bodas de Caná representam a festa da vida, para a qual todos somos convidados, onde não vai faltar alegria porque Jesus está presente.
Neste ano de 2021, ainda marcado pela pandemia da Covid-19, façamos, pois, nossas preces, por intermédio de Nossa Senhora Aparecida: pelas nossas famílias diocesanas, pelas crianças, pelos jovens, pelos doentes da Covid-19, pelos desempregados, pelos tristes e depressivos, pelas que perderam a vontade de viver, pelos mortos, vítimas desta enfermidade global, em curso desde março de 2020. Ó Mãe pela nossa Pátria, Brasil, tão castigada pela desigualdade entre os seus patriotas, pelos nossos governantes, pela Igreja, pelos pastores, pelos sacerdotes, religiosos/as, pelos seminaristas, pelas lideranças de nossas comunidades.
Atentos ao Evangelho, onde Maria pede aos discípulos de hoje: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galileia, encaminha ao Filho as dificuldades dos brasileiros, obtendo dele as graças tão desejadas, sobremaneira, o retorno às normalidades de nossas vidas, com pessoas vacinadas e protegidas, empregos garantidos e tempos saudáveis às nossas famílias diocesanas. Rezemos com Maria e por Maria: ela é sempre a “Mãe de Deus e nossa”. Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós! Amém!

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