RH e o Dia Mundial de Combate à Aids: a saúde mental dos colaboradores e o papel das empresas na inclusão

É importante que o RH se preocupe com a saúde mental dessas pessoas e crie espaços de acolhimento com psicólogos dentro das companhias

Apesar de 920 mil pessoas viverem com HIV no Brasil (vírus da imunodeficiência humana), segundo boletim do Ministério da Saúde (MS), esse assunto costuma ser deixado de lado dentro dos programas de diversidade e inclusão das empresas, muitas vezes, pelos profissionais não saberem como abordar o tema. É o que afirma Luciene Bandeira, psicóloga e cofundadora da Psicologia Viva, maior plataforma de saúde mental da América Latina e integrante do Grupo Conexa. Neste dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, a especialista explica que é imprescindível e urgente que as companhias tenham espaços de acolhimento com psicólogos para pessoas com HIV e tragam a conscientização sobre estigma e preconceito no ambiente de trabalho para os debates nos seus programas de diversidade e inclusão.

Segundo o Índice de Estigma Brasil 2019 (último realizado), do Unaids Brasil, 64,1% dos entrevistados disseram já ter sofrido alguma discriminação pelo fato de viverem com HIV. Outras formas de discriminação também foram mapeadas pela pesquisa, como assédio verbal (25,3%), perda de fonte de renda ou emprego (19,6%) e agressões físicas (6%). “Apesar de ser um tema importante, é raro vermos empresas preocupadas em lidar com a situação. A saúde mental dos profissionais que vivem com HIV não deve ser negligenciada. É importante entender que essas pessoas já sofreram e sofrem com o preconceito em outras esferas de sua vida e é preciso evitar que o local de trabalho seja mais um deles. Todos os profissionais precisam encontrar acolhimento e proteção em seu ambiente de trabalho, onde deve ser orientado e acolhido. Inclusive, se sentir feliz e seguro na empresa reflete também em produtividade e queda do absenteísmo”, explica Luciene.

Em geral, as pessoas que convivem com HIV precisam também enfrentar diariamente o medo de ter a sua condição revelada no ambiente corporativo. A legitimidade dessa preocupação se revela em números, já que 13,3% dos entrevistados do Índice de Estigma Brasil tiveram a natureza de seu trabalho alterada ou uma promoção negada, 7% foram forçadas a fazer um teste de HIV ou revelar seu estado para se candidatar a um emprego ou se aposentar e 19% nem chegam a se candidatar a uma vaga. “É importante frisar que a pessoa não é obrigada a compartilhar a sua sorologia com sua empresa empregadora e informações sobre a saúde dos funcionários só podem ser compartilhadas com a anuência da própria pessoa. Além disso, é garantido por lei que essas informações não podem ser utilizadas para fins difamatórios ou de segregação. É papel do RH realizar campanhas para que todos os profissionais entendam essas questões e se empoderem com informações.”

Apesar de ser um tema a ser debatido o ano todo, uma estratégia de abordagem pode ser realizar campanhas de RH com o mote do mês Dezembro Vermelho, campanha de conscientização criada pelo Ministério da Saúde em razão do Dia Mundial de Combate à AIDS, lembrado mundialmente em 1º de dezembro.

Direito de Profissionais que vivem com HIV/AIDS
O Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, a Unaids, a AHF Brasil e a Tauil & Chequer Advogados elaboraram a cartilha “Direito de Profissionais que vivem com HIV/AIDS”, lançada neste ano para orientar pessoas que vivem com HIV sobre direitos garantidos pela Constituição. A cartilha pode servir de referência para as empresas saberem como lidar com tema. O documento pode ser acessado no site da Unaids.

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