Governo Requião estuda reforma do secretariado
O secretário estadual da Saúde, Cláudio Xavier, colocou o cargo à disposição do governador Roberto Requião (PMDB).
Bastou a atitude, tomada na semana passada, para que as especulações em torno de mudanças no primeiro escalão do governo ganhassem força. Na opinião do deputado estadual e vice-presidente paranaense do PMDB, Nereu Moura, todos os demais membros governamentais de alta patente deveriam fazer o mesmo. O presidente estadual do PMDB, o também deputado Dobrandino da Silva, também considerou que Xavier agiu bem e que todos deveriam seguir seus passos. Mas não é o que pretende grande parte do secretariado. Ninguém parece disposto a correr o risco de ficar desempregado em plena véspera de Natal e a abrir mão de cerca de R$ 12 mil de salários mensais mais mordomias, como motoristas, assessores e o glamour Paraná afora. “Cada um sabe como agir. O cargo de secretário de estado está sempre à disposição. Pus o meu cargo à disposição devido à grande amizade que tenho com o Requião e não quero confundir nem que confundam o pessoal com o profissional. Não quero que uma boa relação dificulte uma possível substituição”, explicou Cláudio Xavier, lembrando que fez isso ainda pelo fato de estar havendo muitas especulações em torno de um novo nome para a pasta. Mas se for convidado a permanecer, aceitará. “Foi a maior honra da minha vida profissional ser convidado para essa função”. Na opinião de Nereu Moura, Xavier teve uma postura elegante. “E acho que ele foi muito competente e que deverá ficar no cargo”. Se, indiretamente e inconscientemente, o secretário da Saúde quis mandar algum recado para os demais colegas e ganhou o respaldo de alguns parlamentares, sua mensagem não foi bem aceita por alguns membros do primeiro escalão do governo. Todos se basearam no discurso de que o cargo está sempre à disposição por ser comissionado para não haver a necessidade de tal atitude. “Não há a necessidade dessa formalização de se pôr o cargo à disposição. O meu sempre esteve à disposição”, disse a secretária de Cultura, Vera Mussi. O chefe da pasta do Turismo, Celso Caron, afirmou que só o fará se essa for uma resolução de todos os demais membros do governo. “Caso contrário, vou esperar uma posição do governador e ver a vontade dele”. Secretário especial de Relações com a Comunidade, órgão criado em 2003, Milton Buabssi disse que é um militante político e que sabe das suas obrigações. “Mas não vejo necessidade de se fazer isso. No meu caso especial, minha função acaba dia 31 de dezembro. E o Requião a renovará se assim entender”, comentou Buabssi, que espera poder continuar execendo a função. A secretária de Administração, Maria Martha Lunardon, é outra que não vê o porquê de pôr a vaga à disposição. “Essa é uma decisão de alçada exclusiva do Requião e ninguém deve se meter”. A posição dela, no entanto, é um pouco diferente da dos demais secretários. É ela quem tem de pôr e deixar a casa em ordem nas questões administrativas e de pagamentos para quem assumir em 2007. “Tenho muito serviço até o fim do ano e o Requião está sempre me solicitando. O governador demite quem ele quiser, tendo cargo comissionado. Mas eu tenho de deixar as coisas nos rumos, como o pagamento dos salários e do 13.º. Por isso não poria meu cargo à disposição neste momento”, disse, contando que o 13.º salário do funcionalismo público estadual deve sair no início de dezembro. “O Requião vai resolver isso antes de ir para a França, no sábado”. Outros dois ex-secretários que podem voltar a ser secretários e, mesmo estando fora deveriam entrar nesta discussão, são Maurício Requião e Aírton Pisseti. Eles foram exonerados respectivamente dos cargos de secretários estaduais da Educação e da Comunicação durante as eleições. De acordo com alguns deputados da base aliada do governo, é certo que o primeiro retorna à função em janeiro. Já o segundo, ainda está com a posição indefinida. Embora muitos parlamentares queiram sua saída definitiva do cargo, eles entendem e admitem que a culpa das falhas de comunicação não é totalmente de Aírton Pisseti. “Há a interferência direta do governador e Pisseti apenas a acata fielmente”, afirmou Nereu Moura, lembrando que defende a colocação dos cargos à disposição porque de nada adianta pressionar Roberto Requião por esse ou aquele nome. “Como fez o Xavier, o governador ficaria mais tranqüilo para decidir”. A mudança no secretariado tem mesmo agitado a cena política neste fim de ano. De acordo com parlamentares, um dos primeiros a ser mantido como secretário seria Luiz Fernando Delazari, na Segurança Pública. Para isso, segundo deputados, ele estaria disposto até a abrir mão do cargo de promotor de Justiça. A assessoria de Delazari disse que ele não se manifestaria a respeito.
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