Educação - um exemplo a ser seguido

Tania Santor/Juliana Cherubini

O que mudou com o EJA?

"Pra mim foi ótimo, não sabia nem escrever o meu nome, aprendi a ler, agora só me falta agradecer a quem correu atrás dessa oportunidade. Hoje não consigo fazer mais porque sou doente e a minha idade não ajuda. A professora é conhecida, pois foi de todos meus filhos e agora é minha. Eu já escrevi carta para o governo agradeci a ele pela oportunidade de pelo menos saber escrever meu nome, a escola me distrai aqui eu converso com meus amigos".

Maria Noeli Mendes - Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida - Linha Sede União

 

"È muito importante. Aprendi a ler e a escrever e sou muito feliz com isso, já faz dois anos e no começo foi bem difícil, mas nesse último ano é que eu realmente aprendi, a chance nós ganhamos basta aproveitar. Antigamente eu não tive oportunidade e agora eu estou lutando para aprender. Me sinto uma criança vitoriosa, os colegas e as professoras são maravilhosos. Aquele que ainda não veio para escola, venha, porque a chance é única e fascinante e os velhos também precisam estudar".

Helena Klan Binillo - Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida - Linha Sede União

 

Já faz três anos que eu estou no EJA, é uma aula boa. Eu era analfabeto e já ajudo nas leituras do culto da comunidade. A gente tem a oportunidade de sair, se encontrar com os amigos, quem trouxe essa educação para nós foi o prefeito Jaime e a Nilse. A professora ta feliz e o meu sonho é ainda um dia ser professora. Eu tenho 68 anos.

Noralia Batista - Escola Municipal Zacarias de Góes de Vasconcelos - Linha Pedregulho

 

"São 625 alunos na rede municipal de ensino, todos esses resultados só puderam ser alcançados pela administração competente que existe no município, uma administração que pensa no intelectual das pessoas, porque isso é pensar em qualidade de vida. A visão da população em relação a educação mudou muito, democratizar a educação dando oportunidade independente de idade".

Lenir Hank - Secretária municipal de Educação

Educação, princípio de um povo. No mundo globalizado a era digital tomou conta de um mundo onde as pessoas não se desligam do telefone ou da internet, mas apesar de sermos tão globalizados, se esquecemos de muito, ou melhor muitos. Nem todas as pessoas tiveram acesso a uma boa escola, basta olharmos para o lado para perceber o quanto isso é comum. Nossos pais, tios, avós, alguém que não teve o privilégio de mudar essa história.

Em Pinhal de São Bento mudar essa história virou parte da rotina de muita gente. O analfabetismo no município que girava em torno de 20% da população, hoje foi praticamente erradicado. Criança alguma fica fora da creche, todos que estão na escola ganham uma refeição extra, porque criança com fome não aprende. As mudanças no ensino foram fundamentais para que Pinhal atingisse números elevados nos índices nacionais. No caso da educação fundamental, de 1ª a 4ª séries, várias mudanças já foram realizadas, mas muitos trabalhos ainda podem ser feitos "Temos muito trabalho pela frente, mas ainda vamos melhorar muito em todos os quesitos, fazendo uma coisa por vez e bem feita", afirma a secretaria de Educação, professora Lenir Hank.

No ensino fundamental, o primeiro passo foi inserir no cardápio dos alunos, o café da manhã, onde os alunos assim que chegam na escola recebem alimentação e entram nas salas de aula mais animados, sem ficar esperando a hora do lanche chegar. A idéia nasceu quando os professores perceberam que muitos alunos que acordavam muito cedo, pois moram muito longe da escola, não tomavam café em casa e não viam a hora de o lanche ser servido.

Essa angústia pela espera da refeição, diminuía o rendimento escolar, deixava as crianças impacientes, dificultando o aprendizado de quem estava com fome e de quem estava ao seu lado, na sala de aula.

As coordenadoras pedagógicas, Inês B. Rizzatti e Zeli G. Neves confirmam a facilidade de se trabalhar com os alunos depois que foram feitas algumas mudanças na forma do ensino. "Hoje somos amigas dos alunos, temos conversas com eles, conseguimos detectar os principais problemas e resolve-los, a forma com que o ensino vem sendo desenvolvido também é uma forma de conseguirmos alcançar nossos objetivos na educação", destacam.

Os alunos também recebem atendimento personalizado. Uma vez por semana, um psicólogo, um fonoaudiólogo e um nutricionista atendem os alunos e acompanham aqueles que apresentam alguma dificuldade. Esse atendimento já teve ótimos resultados e se tornou fundamental para que os alunos pudessem melhorar seu desempenho.

O EJA – Educação para Jovens e Adultos é uma forma de ensino da rede pública no Brasil com o objetivo de desenvolver o ensino fundamental e médio com qualidade, para as pessoas que não possuem idade escolar e oportunidade. Os alunos do EJA são em sua maioria pessoas que muito cedo tiveram que começar a trabalhar sem ter muitas oportunidades de voltar para escola.

Os professores e a comunidade fazem um grande esforço para que o EJA seja realizado com muito sucesso. Com o apoio decisivo da administração municipal, escolas em sua maioria, foram reformadas pelo município ou pelos próprios alunos. "É muita força de vontade para realizar um projeto desse porte e com tamanha responsabilidade, conta o professor Antonio Edvaldo Machado. "É uma grande bagagem para mim, que sou professor. Já atuo no EJA há quatro anos, os adultos são muito mais esforçados que as crianças. É muito gratificante ver as pessoas escrevendo seus próprios nomes, o sorriso no rosto, minha auto estima aumentou muito. É um privilégio dar uma melhor condição de vida a essas pessoas", destaca Antônio Evaldo..

 

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