Seguro de carro: veja quando a cobertura é válida para não perder dinheiro
Antes, ou depois, de contratar um seguro para seu carro, é importante conhecer como funciona o ramo e, principalmente, quando a cobertura é válida.
Assim fica mais difícil perder dinheiro quando uma eventualidade, como roubo ou acidente, fizer com que seja necessário pedir o reembolso à empresa. As dicas são do diretor da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) - antiga Fenaseg -, Neival Freitas. O executivo detalhou que o ramo estava no primeiro bimestre com participação na carteira geral em torno de 24%, perdendo apenas para o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), que possuía cerca de 29% das apólices vendidas. Fora do lugar Supondo que o segurado tenha explicado à seguradora que deixava o automóvel guardado na garagem durante o trabalho e, bem no dia que ele não achou uma vaga no local e teve de deixar seu carro na rua, o inimaginável aconteceu e ele foi roubado. O que fala mais alto? O informado à empresa ou as circunstâncias? “Sempre que ocorre um sinistro (necessidade de pagamento da indenização), seja por roubo, colisão, ou qualquer outro motivo, ocorre uma fase de regulação, onde os fatos são averiguados”, explicou Freitas. Dessa maneira, a empresa verificará se a pessoa mentiu ao afirmar que guardava o carro na garagem ou se realmente o ocorrido se deu em uma circunstância à parte. “Se ficar provado que foi um evento excepcional, não há motivo para não haver pagamento. Mas se a pessoa sistematicamente guardar o carro fora da garagem, ela estará descumprindo um acordo.” Emprestei e bateu Uma situação não muito diferente da descrita acima: o perfil segurado para o carro é de uma pessoa. No entanto, o responsável emprestou o veículo para outra, que acabou participando de um acidente de trânsito. Nesse caso, o dinheiro será dado ao cliente após a fase de regulação caso fique comprovado que “o acidentado” dirigia o automóvel em uma situação especial. “Por exemplo: o pai responde pela apólice, mas acaba passando mal e o filho precisa levá-lo no hospital. É um infortúnio. Agora se o filho pára o carro na porta da faculdade é outra situação. Isso significa que ele vai todos os dias com o automóvel”, exemplificou. Bebi e provoquei um acidente Quando bebe e dirige, a pessoa agrava o risco de acidente, o que não garante a cobertura do sinistro. “O seguro é um contrato de boa-fé firmando entre as duas partes”, afirmou Freitas. “Nesse caso (beber e dirigir) não tem como haver a cobertura”, frisou. Documentação irregular E quando ocorre um acidente, roubo ou qualquer outro evento que resulte na necessidade de indenização de um veículo irregular? Conforme o diretor da Fenseg, inadimplência com o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), licenciamento, seguro obrigatório, entre outros, não tem relação direta com a seguradora. O que acontece nessas situações é que, se houver perda total do bem, no momento em que é pago o sinistro são descontadas essas dívidas. Isso ocorre porque a empresa tem o carro transferido para ela e precisará quitar os débitos. Culpa da natureza Enchente, queda de galho de árvore e outros acidentes que dependem exclusivamente da natureza são cobertos? Depende do contrato firmado entre seguradora e segurado. “O mais comum é que haja uma cobertura contensiva, que protege contra roubo, furto, incêndio e colisão; responsabilidade civil, que cobra danos a terceiros; e de passageiros”, contou Freitas. Dessa maneira, alguns acordos inclusive podem eliminar a garantia de fenômenos naturais. O interessado em contratar a proteção, portanto, deve ficar atento a tudo isso antes de dar sua assinatura definitiva. Parei de pagar e precisei do seguro Esse é um detalhe que merece muita atenção do cliente: o pagamento. Quase todos os seguros contratados têm a vigência de um ano. Dessa maneira, é apresentado um prêmio (valor da apólice) que garante a proteção dentro desse período. Caso a pessoa, ao invés de pagar à vista, opte pelo parcelamento, deverá ficar atenta ao vencimento de cada cota. Se por acaso houver inadimplência, para avaliar se o segurado tem ou não direito a receber o sinistro, a empresa analisa uma tabela regulamentada pela própria Superintendência de Seguros Privados (Susep), na qual estão as relações sobre valor pago e período de garantia. Supondo que o cliente tenha optado em realizar o pagamento em duas vezes: a primeira no ato e a segunda depois de 60 dias. Caso a pessoa tenha se esquecido de arcar com o último vencimento e um acidente acontecer poucos dias depois, ainda estará protegida. “Isso ocorre exatamente por causa dessa tabela de curto prazo, que analisa a cobertura”, explicou Freitas. No entanto, o consumidor deve prestar muita atenção: se não pagar a parcela e precisar da indenização depois desse prazo de cobertura, ficará sem o dinheiro. “Dificilmente a pessoa conseguirá negociar com a empresa, mesmo pagando os atrasados”, adicionu. Automóvel clonado Agora uma situação mais complexa: o automóvel foi clonado e, portanto, teve deu chassi remarcado. Como fica o pagamento do sinistro? Novamente a boa-fé vem à tona para definir a situação: se o consumidor sabia da situação e não comunicou à empresa antes da contratação do seguro, não pode reclamar e querer o dinheiro. Já se o caso foi descoberto, tanto por ele quanto pela empresa, depois da assinatura do contrato, o segurado não pode ser responsabilizado pela situação. Mesmo assim, conforme o diretor da Fenseg, casos do tipo acabam gerando ampla discussão. “É uma situação mais complexa, que exige prova pericial”, adicionou. Cuidando do velho amigo O motorista tem aquele carro não tão novo, com mais de dez anos de uso, mas, nem por isso, quer deixar seu velho amigo desprotegido pelas ruas da cidade. A dúvida que fica é se existe algum seguro que garante proteção a ele. “Esse é um grande problema que traz muita discussão entre as empresas e a Susep”, contou o diretor. O que ocorre é que o preço de reparação dos usados costuma ser o mesmo cobrado por um carro novo. A questão é que o valor de mercado entre ambos é diferente, o que acaba gerando uma diferença muito grande na cobrança proporcional. “A porta de um Gol vai custar sempre R$ 1,5 mil, mas o valor de um zero deve estar na faixa de R$ 30 mil, enquanto um com mais de dez anos, R$ 12 mil. A proporção nesses casos vai ser de 5% e 15%”, detalhou. Dessa maneira, o preço cobrado por um seguro direcionado a usados acaba sendo maior e inviável. “Temos que achar uma forma de baratear isso”, concluiu Freitas.
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