Ronda Policial

Réu é absolvido em Júri realizado em Salto do Lontra
No dia 10 de abril, foi realizada mais uma sessão de júri no Fórum de Justiça da Comarca de Salto do Lontra tendo como réu, Gilmar Coelho, vulgo Gili, de 41 anos, acusado de tentativa de homicídio. O fato ocorreu no dia 20 de março de 2000 na comunidade de Linha Ésser, interior de Salto do Lontra. A vítima foi Pedro Antunes de Oliveira. Naquele dia, Gilmar efetuou seis disparos de arma de fogo contra Pedro, acertando três. A vítima foi socorrida e sobreviveu. Em seu depoimento, Gilmar disse que agiu em legítima defesa, já que Pedro teria lhe agredido com golpes de facão. Na acusação atuou o Promotor de Justiça da Comarca, Dr. Cláudio Siminovich. Na defesa atuaram os advogados, Gilberto Maria e Jorge Gotardi. A sessão foi presidida pela juíza, Flávia Molfi de Lima. O réu, que estava respondendo ao processo em liberdade, foi absolvido por unanimidade de votos, já que os jurados acataram a tese de legítima defesa.

Crimes encontram motivação na droga
Grande parte dos crimes contra a vida e contra o patrimônio – principalmente homicídio, furto e roubo – tem como motivação a droga. A revelação do coordenador do Núcleo de Repressão ao Tráfico de Drogas, delegado Sérgio Inácio Sirino, impressiona. Segundo ele, cerca de 70% dos crimes que são registrados tem a droga como pano de fundo. “A droga mais usada hoje é o crack. Só que o usuário geralmente não tem renda. Para manter o vício comete furtos ou roubos”, disse o delegado.
Mas não é só. Ele destaca que sob efeito da droga, o viciado que vai roubar torna-se mais violento. “Nos roubos, geralmente estão armados e não hesitam em tirar a vida de alguém para ficar com os pertences e trocar pela pedra”, disse o delegado. Os objetos roubados ou furtados são vendidos ou trocados pela droga. “O viciado não pode ficar devendo ao traficante, pois esta dívida pode lhe custar a própria vida”, falou o delegado.
Sirino enfatiza que é muito difícil largas as drogas, principalmente o crack. A cada dia mais pessoas de menos idade entram no vício para buscar a fuga de problemas como falta de estrutura familiar, religião, escolaridade deficiente, falta de emprego. “Ele busca a fuga, a partir disso vai roubar e quando percebe, já não tem mais volta”, disse. Para o delegado, a prevenção é o principal escudo contra o mundo das drogas.
Em março de 2007 o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, deu mais um passo no enfrentamento da criminalidade organizada que faz a distribuição de droga em larga escala no Paraná. Foi criado o Núcleo de Repressão ao Tráfico de Drogas da Divisão de Narcóticos da Polícia Civil do Paraná, funcionando a partir de seis bases: Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel e Pato Branco. Só em 2007, foram apreendidos pelos policiais 48 quilos de crack, nove toneladas de maconha, 12 quilos de cocaína e 15 quilos de haxixe - 176 pessoas foram presas.
As bases do Núcleo de Repressão ao Tráfico de Drogas são comandadas por delegados, que trabalham em conjunto com policiais civis e militares. A meta é investigar crimes que são geradores de criminalidade em larga escala e o tráfico de drogas se enquadra nesta categoria. O que os estudiosos chamam de ciclo econômico da droga movimenta mais de 3 trilhões de dólares por ano em todo o mundo. Os núcleos foram criados exatamente para combater não apenas o pequeno traficante. A prioridade é tirar de circulação quem está chefiando o esquema.
Os núcleos trabalham com inteligência policial a partir de técnicas de investigação atualizadas e usadas dentro e fora do Brasil. O objetivo não é promover ações que resultem em troca de tiro e enfretamento direto com os marginais. Por isso os delegados que estão à frente dos núcleos contam com o que há de mais moderno em termos de equipamentos para atuar dentro das técnicas de inteligência. A subordinação dos integrantes das bases dos núcleos é direta com a Divisão de Narcóticos da Polícia Civil e com o próprio secretário da Segurança Pública.
O Paraná saiu na frente quando o assunto é concentrar as denúncias contra o tráfico de drogas e agir no enfrentamento aos traficantes. Em junho de 2003, o governo estadual criou o serviço 181 Narcodenúncia. Com uma simples ligação telefônica e o repasse de informações pela população a polícia atua. De 2006 a março deste ano, os números impressionam: foram apreendidos mais de 250 mil quilos de maconha, quase duas toneladas de cocaína, mais de 2 milhões de pedras de crack. Desde o início do programa, mais de 16 mil prisões de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao tráfico de drogas foram feitas.
Quando o sistema surgiu no Paraná o atendimento era feito através do telefone 161. Pouco mais de um ano depois do lançamento, a Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações disponibilizou o número 181 para uso em todo o Brasil. De acordo com o coordenador estadual do programa, tenente-coronel Jorge Costa Filho, a tecnologia foi repassada para outros Estados brasileiros, que estudam a implantação do sistema ou já implantaram totalmente, como aconteceu no Mato Grosso do Sul. “Aqui no Paraná o governo acreditou no projeto e o resultado é visível”, disse ele.
A utilização pela população do 181 Narcodenúncia ajudou a colocar o Paraná como o Estado onde mais são registradas apreensões de droga em todo o Brasil. “Trata-se de uma parceria entre a população e as autoridades da segurança. A população nos conta o que sabe e nós montamos operações e ações policiais para prender os traficantes e evitar que a droga chegue aos centros de distribuição”, disse o coronel. “As pessoas que denunciam têm garantido o sigilo. Não há risco. E há transparência no trabalho, pois a comunidade vê os resultados”, reforçou.
Nos cinco anos de funcionamento o programa recebeu 15.049 ligações. Estas denúncias resultaram em 13.898 prisões de homens e 2.754 prisões de mulheres que atuavam direta ou indiretamente no tráfico de drogas. A partir das denúncias também foi possível identificar e apreender 3.321 meninos e 656 meninas que tinham ligação com este tipo de crime. “Isso demonstra a seriedade do trabalho que é realizado a partir da denúncia. O cidadão não fica sem resposta. Às vezes a resposta é imediata. Em outros casos precisamos de mais tempo, mas atuamos sempre”, frisou o coronel.
As ligações para o número 181 Narcodenúncia podem ser feitas de telefones fixos ou celulares de qualquer lugar do Paraná. Para facilitar o atendimento, o Paraná foi dividido em regiões a partir dos códigos de discagem à distância das operadoras de telefonia. As ligações são atendidas por pessoas treinadas, que ficam 24 horas por dia à disposição nos quartéis da Polícia Militar. Assim que as informações são recebidas, são imediatamente repassadas às autoridades, demonstrando uma perfeita integração entre a PM, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal.

Delazari terá muito o que explicar sobre a Segurança Pública
A presença do secretário Luiz Fernando Delazari vem sendo aguardada com expectativa pelos deputados da oposição, especialmente Marcelo Rangel, que nas últimas sessões da Assembléia Legislativa comentou sobre a falta de estrutura do policiamento do Paraná. “Enquanto a situação tenta nos apresentar um quadro maravilhoso e até chega a atribuir parte da culpa da nossa insegurança à sociedade, o dever do Estado está sendo esquecido”, comentou ontem o deputado Marcelo Rangel.
O deputado pretende esclarecer a questão do salário do PM, notadamente os menos graduados, que têm soldo de R$ 314. Rangel quer saber também sobre os aumentos, promoções e concursos públicos. São informações que não ficaram muito claras e que demonstra um dos motivos da fragilidade do policiamento diante da evolução sempre categórica do crime. Num dos seus últimos discursos Rangel comentou também que policiais não vem tendo reajustes salariais desde 2003. Mesmo diante da defesa insistente da situação o pepessista garantiu que “o que houve foi reposição salarial e jamais aumento”. Rangel defende que os policiais sejam equiparados ao menos pelo valor do salário mínimo proposto pelo governo para todos os paranaenses. E criticou que o governo fixe normas para a iniciativa privada, mas são normas que nem ele é capaz de cumprir com os seus funcionários, criticou.
A oposição como um todo está se sentindo desrespeitada e desvalorizada na Assembléia Legislativa. O deputado Rangel não vê a situação de outra forma ao garantir que “estão tentando desmoralizar o meu trabalho quando negam coisas evidentes”.
Ninguém pode esconder, por exemplo, que o efetivo policial do Paraná é um dos menores do Brasil, situação que pode ser corrigida através de um projeto onde os policiais que forem se aposentando possam ser recontratados em funções burocráticas, onde poderão usar toda a experiência já demonstrada na ativa.
Rangel afirma também que ao apontar os erros do Governo é encarado como um veemente opositor, quando na realidade o que ele pretende é ser um colaborador, mesmo não concordando com as formas de atuação do governo.

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